No ar, a redobra #8!

EDITORIAL

Gabriel Schvarsberg e Cacá Fonseca

Sejam bem-vindos a reDOBRA #8! Como uma das dobras da Plataforma Corpocidade (http://www.corpocidade.dan.ufba.br/), iniciamos esse editorial lembrando que o evento Corpocidade: debates em Estética Urbana 2 aconteceu entre os dias 20 e 30 de Novembro em suas duas etapas – no Rio de Janeiro e Salvador -, respectivamente. Aos que participaram presencialmente ou acompanhando a transmissão pela internet, em uma ou nas duas cidades, esperamos que a experiência tenha sido tão proveitosa e intensa como o foi para nós. Entre as inúmeras reverberações desse acontecimento que já nasceu dobrado em dois territórios geográficos, mas que segue se multiplicando em n territórios, a reDOBRA vem se mobilizando em torno de uma edição totalmente dedicada ao evento.

Enquanto isso, a reDOBRA #8 convida seus leitores a uma deriva pelos limiares entre estética e política. Como arte e cidade se problematizam, se alimentam uma da outra, se co-produzem? Que desafios se apresentam ao campo da crítica contemporânea que busca se enveredar no âmbito das transformações urbanas, da produção estética, da esfera pública e das possibilidades políticas frente às alarmantes determinações do mercado e das políticas de subjetivação dominantes sobre a vida na cidade? Essas são algumas das questões pelas quais esta edição da reDOBRA tenta se embrenhar. E nossos colaboradores [de peso!] nos levam por caminhos tortuosos, não à busca de possíveis respostas, mas à fruição da própria problematização, pela experimentação de olhares complexizantes, pela desarticulação do lugar comum e pelos variados engendramentos entre os termos visíveis e invisíveis dessas relações.

A sessão TROCAS traz entrevistas com Suely Rolnik e Vera Pallamin. Sem qualquer intenção prévia de uma troca explicitada, as entrevistas foram realizadas em momentos distintos, aproveitando oportunamente a presença das entrevistadas na ocasião de suas participações na oficina “As artes visuais como um campo transbordado: Diálogos com a filosofia, antropologia e urbanismo” [1] As duas entrevistas, entretanto, pelas questões abordadas, pelas riquíssimas contribuições aos campos problematizados, apresentam inúmeros pontos de interseção, o que evidenciou, naturalmente, a possibilidade de trocas.

Ao mesmo tempo esclarecedora e provocadora, a entrevista com a professora e pesquisadora da FAU-USP Vera Pallamin traz relevantes reflexões sobre arte urbana e sua relação com o mercado, sobre o papel e a potência da atividade crítica, além de contribuições a uma visão ampliada da política abordando entre outros conceitos, a amizade, o conflito e o dissenso. A entrevista com a professora e pesquisadora do núcleo de subjetividade da PUC-SP, Suely Rolnik, nos ajuda a pensar pelos caminhos da micropolítica, as relações entre arte (ou criação),  vida na cidade e  produção de subjetividade, demonstrando a importância das inscrições dos processos históricos na memória do corpo e sua capacidade paradoxal que é ao mesmo tempo de sujeição aos traumas e da vontade de liberação dos mesmos pela potência de criação.

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Publicado em corpocidade 2010, divulgação, [re]dobra | Marcado com , , | Deixe um comentário